A Melhor temporada de The boys me convidou para dançar [de novo!]. E eu aceitei, me julguem!

2ª temporada de The boys
Longe de mim ser o cara que vai cutucar uma ferida aberta que, talvez, nunca cicatrize. Mas, infelizmente, preciso tocar nesse assunto: a última temporada de The boys foi um amontoado de “Ahhhhh… ok! Legal”. Em outras palavras, eu senti como se a Amazon fosse aquele amigo que responde minhas mensagens com um simples “👍”…  E como explicar isso sem parecer um chato reclamão? Vou me arriscar…

Sabe quando bate aquela fome de algo e na primeira colherada você percebe que o sabor não é bom? Ou aquela sensação de pagar caro em um lanche sem graça? Você come tudo, porém no fim ainda está com fome. Cara, foi isso que senti! (Eu sei, sou péssimo com metáforas, mas você sacou o que estou tentando dizer, né?)

Talvez, você aí do outro lado da tela esteja se perguntando “Ok! E daí?! E eu com isso?!”. Acontece que na semana passada, do nada, apareceu na minha tela do Youtube esse vídeo aqui. Se liga: 

Não faço a mínima ideia se você sentiu o mesmo que eu. Só sei que no segundo que o trailer acabou, meu chão virou bagaço de laranja, tá ligado? Foi como se The boys parecesse algo novo. E bem ali, naquele instante, com a minha fuça sendo refletida na tela do Youtube, eu quis voltar no tempo e resgatar o que senti… E eu pensei “Droga! O que eu tô prestes a fazer?!”

Pois é, meu caro Ornitorrinco; fui pego pelo fantasma da nostalgia. E como um velho saudosista, adivinha o que eu fiz? Sim! Corri para os braços da Amazon, empunhei meu controle remoto como se erguesse uma espada e apertei o play na temporada 2. Sem medo. Sem remorso. E foi lindo demais, cara… Sacrifiquei meu final de semana de gameplay com os amigos e não me arrependi. Vi todos os episódios de The boys de uma única vez. E eu fui arrebatado. O chão pareceu nuvem. A luz do sol brilhou de novo na minha janela e os boletos deixaram de existir por um tempo.

Confesso que isso aconteceu muito cedo, principalmente pelo fato de que a 2ª temporada foi lançada em 4 de setembro de 2020, no auge do surto pandêmico. Lembro que geral estava acorrentado dentro de casa, com medo de espirros e tossidas alheias; e eis que do céu, trajando capa, surge ela — A Capitã Prime — entregando de bandeja a melhor coisa do nicho de heróis desde Vingadores: Ultimato. O criador Eric Kripke, para os íntimos “O Pai de Supernatural”, fez o impensável. Uniu fãs e haters do gênero de super-heróis, provando por A + B que sua criatividade é o maior e o melhor superpoder por trás de The boys.

2ª temporada de The boys
The boys / Prime Video

O que faz da 2ª temporada de The boys esse suprassumo todo?!

Acima do sangue, das vísceras, das piadas ácidas e da pancadaria, a 2ª temporada é boa por um motivo simples. Tão simples que parece aquele “pão com ovo que você come no café da manhã, que te faz sorrir”. Essa simplicidade, é claro, está nos personagens. Aqui sim a gangue do Billy Bruto parece pessoas de verdade; cometendo erros e fazendo escolhas com naturalidade. Diferente de uma certa temporada final, que fez a galera na tela incorporar um bando de NPCs controlados por lavagem cerebral. AFF!

Os caras colocaram tudo lá na segunda temporada. E a minha memória de 1 gigabyte não lembrava de nada, nadinha. Teve fake news sendo ferramenta mais poderosa que muitos heróis, mostrando que uma notícia falsa é capaz de mudar o julgamento dos tiozões do ZAP. Teve um aceno sarcástico para Marvel que forçava “cenas” de empoderamento vazio, pensando apenas no “vou ficar bem na fita” e, além disso, teve a abordagem do preconceito moderno, escondido por debaixo da máscara de “cidadão de bem. Pois é, como diz meu irmão “crítica social f*da!“.

Distribuindo bem o tempo de tela para todos os personagens, as subtramas são trabalhadas de forma orgânica. Algumas até são independentes e distintas, mas a genialidade do texto consegue amarrar todas em um emaranhado de causa e efeito.

2ª temporada de The boys
The boys / Prime Video

Sabe os momentos em que dois ou mais personagens, completamente diferentes, se encontram e a química acontece na hora? Diante disso, as interações inesperadas e os encontros e desencontros roubam todos os holofotes nesta temporada. E é notório que as personagens femininas seguram as rédeas dos principais arcos. Do começo ao fim. Todo o controle e as principais viradas de roteiro partem das escolhas e ações de cada uma delas. 

De um lado temos a personagem Kimiko, incrivelmente interpretada pela atriz Karen Fukuhar, que mesmo sem falar um “a“, consegue passar toda a avalanche de sentimentos que fervem dentro da personagem. Do outro, temos a Rainha Maeve (vivida por Dominique McElligott) que também trilha sua própria jornada contra seus fantasmas. Entre a coragem e o medo, sua imagem é manipulada e utilizada para erguer bandeiras que visam apenas os cifrões. E temos ela, Luz Estrela; que finalmente decide “dançar conforme a música“, entende? 

AHHHHHHH!!! E não posso esquecer dela! A desgraçada. A nojenta. A sem escrúpulos. A dona da 2ª temporada de The boys… A Hitl*r com o corte de cabelo mais maneiro de todos os tempos — o bob assimétrico com lateral raspada —; perdão, eu tive que pesquisar no Google o nome desse visual.

2ª temporada de The boys
The boys / Prime Video

Sendo a mais nova adição d’Os Sete, Tempesta chega de mansinho, que nem brisa, para depois se transformar numa tempestade (Ba dum tiss!). A alma que deu vida a essa personagem memorável é a atriz Aya Cash. Ora destrutiva, ora imprevisível, não é preciso ter olhos de águia para ver além da heroína e enxergar suas nuances. A “militância” virtual, o poder das redes sociais e a manipulação proveniente das fakes news são elementos que orbitam ao redor dela. Afinal, Tempesta é uma heroína? Uma vilã? Claro que sabemos a resposta. No entanto, você sabe muito bem que existem pessoas por aí que viram The boys e possuem uma resposta diferente, né?!

Durante os oito episódios, aconteceu o que faltou na quarta e quinta temporada. Eu fiquei tenso, ansioso, muito curioso. Meu lado Sherlock Holmes ficava o tempo todo buscando respostas para detalhes minúsculos. Quando pensei que nada mais pudesse acontecer e que as surpresas foram todas utilizadas em uma cena, surgia um novo conflito catapultando a atenção para outro desafio. Cada episódio sabe construir um começo, um meio e um clímax. G-E-N-I-A-L!

Preciso falar, também, de um personagem sem rosto que está com mais força no segundo ano de The boys. O Sarcasmo feito com qualidade. Do tipo que você olha, franze os olhos, dá um risinho com o canto da boca e diz “EITA!”. Nada escapa das mãos dos roteiristas. Está tudo lá: a vertente social, política, religiosa e midiática. Se você que está lendo este humilde possuir coragem, faz aí o experimento social. Coloca um episódio da segunda temporada para passar de tarde, no domingo, depois do almoço de família, com todos os seus familiares na sala. E veja o CAOS acontecer.

2ª temporada de The boys
The boys / Prime Video

Ah, claro. Preciso deixar uma coisa bem clara: não vou passar pano para tudo. Tem características do segundo ano da série que me causam ânsia de vômito. O tempo todo, as repetições de “impasses” se resolvem da mesma forma. Parece que a única forma de barganha nessa série é a chantagem! Poxa! E eles, os roteiristas, tiveram medo de bancar certas mudanças no andar da carruagem.

Outra confissão que preciso deixar registrada aqui, nesse cantinho do desabafo, é que a cena das Mulheres descendo o cassete na Tempesta é, de longe, uma das coisas mais maravilhosas do audiovisual. A tensão, a música de fundo, a coreografia crua, os efeitos sonoros… Se me perguntarem “quantas vezes você assistiu esse trecho”, minha resposta será “Sim!”.

Tá vendo???! É isso! A 2ª temporada de The boys foi O Acontecimento. Comprovando que foi — e é! — o suprassumo do catálogo da Prime Video. Enfim, excelente ritmo, roteiro incrível, personagens que valem cada minuto em cena e com um final de explodir as cabeças (Capitão América pegou essa referência).

Obrigado, Sr. Youtube, por usar a nostalgia e me manipular assim. Eu não sabia que precisava resgatar isso em pleno 2026. Foi tão bom!

E cá entre nós, você pode amar filmes de heróis, pode odiá-los, ou ser indiferente, no entanto, uma coisa é certa: The boys mudou pra sempre o jeito que os fãs e os criadores de histórias enxergam esse mundo de capas esvoaçantes e uniformes coloridos.

E esse foi “Aquele Desabafo”.

Te vejo no próximo post.

~ Cidadão Quem ~

2ª temporada de The boys
The boys / Prime Video

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By Cidadão Quem?

Escrevo sobre filmes de terror, revisito clássicos e desconfio de qualquer série que prometa 20 temporadas. Tenho mais coragem para encarar um filme de terror às 3 da manhã do que para subir numa bicicleta. Sou fã declarado de Tarantino, porque aparentemente gostar de Tarantino ainda é permitido no mundo dos cinéfilos. Entre um susto, uma reprise e uma crise existencial, sigo procurando o próximo filme que merece ser chamado de “aquele filme lá”.

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